Gastronomia por Roberta Sudbrack
17/09/2007 ..
Delicadezas
Que mundo está carente delas, não é novidade. Mas e nós? Será que estamos exercitando as nossas como exercitamos os músculos todos os dias na academia?
Aí vão algumas que deveriam ser exercitadas diariamente:
Buzinar menos no trânsito;
Conduzir o carrinho de compras no supermercado com mais cuidado;
Empurrar menos seja lá onde for;
Dizer bom dia e boa tarde;
Dizer mais obrigado;
Usar mais o “por favor”;
Não olhar ninguém de cima abaixo;
Olhar mais para o garçom quando ele te serve;
Não descontar a raiva da sua vida nele;
Nem no chef!;
Não fazer observações tolas quando o chef vai a mesa só pelo prazer de fazê-las;
Não dizer a frase imbecil: “Será que eu não tenho uma crítica construtiva a fazer?”. Às duas da manhã e ainda por cima não saber exatamente o que quer dizer com isso!
Segurar mais as portas para os outros passarem;
Ter mais paciência;
Sorrir mais na rua...
Completem:
Até!
20/09/2007 ..
Criação, eis a questão...
Fui convidada para participar de uma mesa redonda cujo tema é criação. Para nós cozinheiros não há ingrediente mais importante do que ela. Precisamos dela para viver, respirar e sorrir. Quando ela acontece, pode ser no meio da noite, da tarde, dentro ou fora da cozinha, pouco importa, o que vale é tentar. Parar tudo o que se está fazendo e deixar o pensamento se expressar.
É isso: criação nada mais é do que a expressão de um pensamento. Daí a importância da reflexão, sem a qual o pensamento fica tão vago e efêmero quanto espumas, sejam elas de batata ou sabão! A conexão com essa expressão é tão importante quanto o tempo de maturação desse pensamento, ou seja, às vezes pode se expressar rapidamente, noutras pode precisar de tempo para a cura, como os bons queijos.
Em minha opinião, o processo criativo é solitário. È necessária uma boa dose de tranqüilidade e introspecção para que ele se sinta seguro e pronto a interagir com o mundo. Acredito que o conjunto de fatores que levam à criação possa ser coletivo: apresentação e idéias, ingredientes, técnicas e melhores formas de se executar uma mesma coisa. Tudo isso é parte fundamental deste quebra-cabeça, mas o momento mágico da floração é solitário, íntimo e só acontece uma vez. Quantas vezes já não perdi a chance de deixar um pensamento se expressar, simplesmente por que a loucura do dia-a-dia não me possibilitou a chance de descer do trem por alguns instantes?
Além disso, acredito que o processo de criação é íntimo, pessoal e intransferível, como escova de dente! Cada um tem a sua e sabe bem como melhor usá-la, de preferência sozinho no aconchego do banheiro!
Até!
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